Mais uma vez Saramago surpreendeu-me....Desde que li e adorei as "Intermitências da Morte" e devido também à enorme publicidade feita ao filme, tive vontade de pegar neste livro e não me arrependi...
No fundo, é a história de seis pessoas que de um momento para o outro cegam e de mais uma que por extraordinário que possa parecer é a única que não fica cega...É o relato da sobrevivência destas personagens, numa sociedade de cegos.
O livro faz-nos pensar na importância dos sentidos e de como a visão é essencial!
No dia-a-dia não nos apercebemos disso porque a visão já faz parte de nós. Todavia, e se tudo mudasse e ficássemos cegos?
É o relato da luta pela sobrevivência... É a antítese das nossas vivências, são os conflitos e a lei do mais forte.
No meio de tudo isto há, todavia, tempo para amar e para se tirar o melhor partido das situações.
Esta história tem também uma moral:afinal para que servem as aparências num mundo de cegos? Num mundo em que cada um só vê aquilo que quer? Não é, no fundo, essa a realidade da sociedade mundial que apesar de não ser cega (pelo menos do ponto de vista patológico), só vê o que lhe convém?
Saramago chama a atenção para a importância de se "ver" com "olhos de ver" para além do óbvio, para além das convenções e aparências e "olhar" sobretudo o interior do Ser Humano.
Este livro é um "olhar" sobre a sociedade sem rosto...sem aparência, unicamente sentidos e atitudes, porque no fundo homens e mulheres são todos iguais - são cegos.
Pelo enredo e mais uma vez pela mestria da linguagem e da escrita, este é um livro sem dúvida alguma para ler e reflectir!!!
Resta agora ver também o filme...
Classificação - 5 (Muito Bom)
