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15/12/2013

Persuasão - Jane Austen OPINIÃO!!!




Jane Austen é, sem dúvida, uma das minhas escritoras de eleição e esta leitura só veio confirmar esta realidade.

Sr. Elliot, um baronete inglês habituado a grandes regalias e à ostentação, vê-se perante uma situação embaraçosa: não tem possibilidades financeiras para manter a sua casa e, por isso, tem de se mudar e de alugar a casa onde residia com as suas duas filhas, Elizabeth e Anne Elliot.

A trama adensa-se quando se vem a saber que o novo inquilino da mansão será nada mais do que o irmão de Capitão Wentworth, o grande amor da vida de Anne , que já não via há mais de oito anos.

A descrição social da época (Séc. XIX), o grande número de personagens, cada qual representativa de uma característica da sociedade londrina, assim como as paisagens fazem deste livro uma verdadeira obra-prima da literatura clássica inglesa, sendo a  meu ver, um dos melhores romances da autora (juntamente com 2Orgulho e Preconceito”).

Geralmente, mal inicio a leitura de um livro de Jane Austen fico logo agarrada à narrativa e não descanso enquanto não o termino.

De salientar ainda que sendo a leitura de clássicos bastante complexa relativamente a outros géneros literários, Austen insere-se no conjunto de escritores que mais prazer me dá ler.

Persuasão foi o último romance que a autora escreveu antes de morrer e , por isso, é notória uma maior maturidade na escrita que só lhe confere uma maior riqueza narrativa que cativa ainda mais o leitor.

O tema principal dos seus romances costuma ser o amor e a crítica social, o que é extremamente vanguardista para a época, indo contra todos os tradicionalismos de então. E “ Persuasão” não foge à regra.

Outra característica inigualável de Jane Austen é o seu toque de humor que alterna com a abordagem de temas mais sérios e realistas.

Esta foi uma leitura que me deu muito prazer, que aconselho sem reservas e que passou para o meu “Top 10” dos livros lidos em 2013.

A Autora:
Importante romancista inglesa (1775-1815) cuja escrita marca a passagem do Neoclassicismo para o Romantismo. Quando era ainda criança, escreveu novelas para a família, em parte publicadas em Love and Friendship and Other Early Works (1922). Na produção literária desta autora são considerados dois períodos: de 1796 a 1798, em que escreveu Sense and Sensibility (Sensibilidade e Bom Senso) e Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito), publicados em 1811 e 1813, respectivamente; e a partir de 1811, com a escrita de Mansfield Park (1814), Emma (1816) e Persuasion (Persuasão, 1818).
 
A minha classsificação:
7 - Excelente

Período de Leitura: 
De 30 de Novembro a 5 de Dezembro de 2013.

17/11/2013

A História de um Sonho - Arthur Schnitzler OPINIÃO!!!

Colecção Mil Folhas, Público| 95 Páginas


Este é um clássico da literatura diferente dos que já li até hoje: é sobretudo uma reflexão sobre o significado do sonho e de como este pode afectar ou não o nosso quotidiano.

No dicionário de língua portuguesa “Sonho” significa: associação de imagens, frequentemente desconexas ou confusas, que se formam no espírito da pessoa enquanto dorme; Fig. Ilusão, fantasia, devaneio, utopia: o sonho acabou.

É em torno desta definição que gira toda a narrativa:  é-nos apresentado um casal, Fridolin e Albertine que um dia decidem por mútuo acordo contarem algumas coisas um ao outro, episódios que aconteceram consigo próprios e de que o outro nunca suspeitaria. Atracções fugazes e sem nenhum desenlace comprometedor formam a base das revelações mútuas. 

Albertine tem um sonho, que até poderia ser real, que talvez o próprio inconsciente dela poderia desejar que fosse real; Fridolin vive uma experiência completamente rocambolesca, com imenso mistério e suspense, em que muitas vezes toca a fronteira do "proibido", sem nunca a ultrapassar, talvez mais pelas próprias circunstâncias que pela sua própria vontade, algo que nem ele próprio chegará alguma vez a saber.

Albertine conta a Fridolin o seu sonho, que parece tão real, e que Fridolin leva tão a sério que o julga real, e Fridolin conta a Albertine a sua experiência, que Albertine toma, naturalmente, como um sonho, pois o seu sonho teve tanto de realidade como a realidade que Fridolin viveu teve de sonho. O desenlace do romance torna-se imprevisível aos nossos olhos até às últimas páginas, magnificamente concluídas pelo autor do romance.

À medida que ia lendo fui-me recordando do filme “De Olhos Bem Fechados” com Tom Cruise e do realizador Stanley Kubrick mas só depois tive a certeza que este realmente foi baseado neste clássico da literatura.

Um pequeno ensaio-romance sobre a questão do sonho, em sentido real e figurado, trocando-nos as voltas e levando-nos a interrogações sobre as motivações íntimas do nosso ser, tantas vezes enclausurado dentro de regras e formalidades que criamos para nós próprios, mas que, se não existissem, também não permitiriam termos uma vida minimamente consistente.

O sonho pode ser realidade, e a realidade que vivemos pode até nem passar de um sonho. O que é o sonho e o que é de facto real?

Um livro que nos faz pensar, bastante filosófico ( a meu ver exageradamente filosófico) e cujo tamanho ajudou à leitura: o arrastar da narrativa e a complexidade do tema, faria com que muito provavelmente deixasse o livro a meio caso este fosse mais volumoso.


O Autor:
Filho de um médico judeu de renome, Arthur Schnitzler também estudou medicina na Universidade de Viena, tendo chegado a escrever uma tese sobre o tratamento hipnótico das neuroses; porém, foi à literatura que dedicou a vida. Romancista, contista e dramaturgo de excepção, viu reconhecidos os seus méritos literários nos anos 90 do século XIX, não sem controvérsia, como é costume com os que vão à frente no seu tempo. A ideologia nazi havia de proibir-lhe as obras, tanto na Alemanha como na Áustria.

Período de Leitura: De 20 a 25 de Outubro de 2013.

Classificação: 4 - Interessante
 

17/10/2013

O Estrangeiro - Albert Camus OPINIÃO!!!!





O título da obra dá que pensar: O Estrangeiro remete vulgarmente para alguém que não pertence ao local onde se encontra, onde reside. Contudo, neste clássico de Albert Camus, essa definição é muito mais profunda e não pode nem deve ser encarada literalmente.

A personagem principal, Mersault, vê-se confrontado, numa primeira parte do livro, com a morte súbita e inesperada da mãe. Acompanhamos, assim, essa nova fase da sua vida, bem como o seu romance com Maria e o convívio com outras persongens, também elas, complexas de interpretar.Na segunda parte deste romance, deparamo-nos com um homicidio, difícil de explicar, bem como com as interrogações pessoais de Mersault e o modo como encara o seu julgamento.

"O Estrangeiro" é uma personagem complexa: é um homem invulgar e assistimos, à medida que avançamos na leitura, à descrição das suas emoções e das suas reacções aos percalços que lhe vão surgindo na vida.

A personagem Merault é, no fundo, um permanente insatisfeito, tanto com a sua própria vida, como com a sociedade, não conseguindo, por isso, identificar-se com nada ficando a pairar e a questionar tudo e todos, um "estrangeiro" da sua própria existência.

Apesar de ser um livro pequeno, é também complexo de analisar, sendo um clássico de literatura ímpar e que faz juz à sua classificação.

Visto que nunca tinha lido nada de Albert Camus, resolvi investigar e fiquei a saber que "O Estrangeiro" faz parte do Ciclo do Absurdo, trilogia composta por um romance ("O Estrangeiro"), um ensaio ("O Mito de Sísifo") e uma peça de teatro ("Calígula"). Todos descrevem o aspecto fundamental da filosofia do absurdo defendida pelo escritor: uma composição existencialista que observa as composições criadas entre as duas Guerras Mundiais.

É um livro complexo, mas brilhantemente escrito, que faz o leitor reflectir.

Esta leitura despertou-me o interesse pela obra do autor e, por isso, conto ler mais livros seus.

O Autor:
Escritor e ensaísta francês, Albert Camus nasceu a 7 de Novembro de 1913 em Mondovi, na Argélia.
Em 1937 publicou o seu primeiro livro, uma colectânea de ensaios com o título L'Envers Et L'Endroit (O Avesso e o Direito). No ano seguinte passou a trabalhar como jornalista no Alger Républicain, chegando a fazer uma reportagem detalhada sobre a condição dos muçulmanos da região de Cábila, que lhe valeu as atenções do público e das autoridades goveramentais.
Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, Camus publicou Noces (1939), uma colectânea de ensaios que reflectiam o estado de espírito consequente ao seu divórcio de Simone Hié, morfinómana com quem havia casado alguns anos antes.
Juntou-se ao movimento da Resistência Francesa e, em 1942, publicou um dos seus romances mais conhecidos, L'Étranger (O Estrangeiro), obra que havia começado a compor na Argélia antes do começo da guerra, e que dava início ao estudo do absurdo, constante no seu trabalho, e que representava a prova aparente, segundo Camus, da não existência de Deus.  

Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1957, Albert Camus faleceu prematuramente, a 4 de Janeiro de 1960, num acidente de viação ocorrido nas cercanias de Sens, em França. 

Período de Leitura: De 18 a 25 de Setembro de 2013.

A minha Classificação: 5 - Bom.

24/09/2013

Metamorfose - Franz Kafka OPINIÃO!!!!!

Europa – América (livro de bolso)|
Nº páginas: 115


Este foi o primeiro livro que li de Franz Kafka! Tanto ouvi falar deste escritor e era tanta a curiosidade que o escolhi como um dos clássicos da literatura a ler este ano.

O livro é pequeno e lesse num fôlego!!!

"Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto."

Inicialmente, a minha primeira reacção foi que estava perante um livro um pouco surreal, de ficção científica até e achei muito curiosa a abordagem estabelecida pelo autor a esta mudança que ocorreu inesperadamente a Gregor Samsa.

À medida que nos embrenhamos na história, concluímos que não se trata da simples descrição de uma transformação física, é antes de mais uma mudança de pensamentos, de observar o mundo e a realidade que rodeia a personagem principal.

Progressivamente, acompanhamos as reacções de Gregor, a sua surpresa por de um momento para o outro ter sofrido essa transformação, o sofrimento que sente por já não poder trabalhar e ser o sustento da família assim como a preocupação para com a família que, inicialmente, têm dificuldade em compreender esta mudança.

Gregor passa a analisar as coisas que o rodeiam com muito mais atenção e a “Metamorfose” não ocorre só exteriormente mas também e, sobretudo, intelectualmente.

O livro, escrito em 1912, não foi bem visto na época, uma vez que o surrealismo, escolhido por Kafka neste livro serviu, sobretudo,  para transgredir a sociedade, valendo-se da situação para excluir-se da família e dos valores sociais impostos.Além dos conflitos familiares, Kafka, escolhe a forma para questionar as imposições do regime capitalista, negando-se a trabalhar.

É um livro que nos faz reflectir e tirar diferentes conclusões, deixando-as ao critério de cada um.

Este primeiro livro que li do autor surpreendeu-me pela positiva e pretendo ler, em breve, mais livros que constituem a sua obra.
  


O Autor:
Escritor checo, Franz Kafka, de ascendência judaica e de expressão alemã, nasceu em 1883, em Praga, e morreu em 1924, em Kierling (Viena). Estudou Direito durante alguns anos, mas em 1917 contraiu a doença que constituía, naquela época, o flagelo da humanidade - a tuberculose -, que o acompanhou sempre durante o resto da sua curta existência. A sua obra literária é preenchida essencialmente por romances e contos.
A sua obra literária é preenchida essencialmente por romances e contos. Como contista, Kafka aproxima-se do Expressionismo, sem que, contudo, possa ou deva ser enquadrado em qualquer movimento literário. O cunho do seu "mundo" é o homem angustiado, obrigado a viver uma vida absurda, paradoxal, o homem solitário moderno, na sua angústia constante e sem remédio. Situações e cenas ambíguas e grotescas transformam-se em representações de sonho e de visão, que fazem lembrar o Surrealismo, que Kafka grandemente influenciou.
Grande parte da obra literária de F. Kafka foi publicada depois da sua morte, o que não obstou a que ela viesse influenciar, de modo notável, toda a literatura moderna que lhe sucedeu.

A minha classificação: 5- Bom.

Período de Leitura: De 7 a 10 de Agosto de 2013.



Os Autores nas estantes

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