


Não!!!Não acabei a minha greve de compras a que me propus até à feira do livro!!
Esta encomenda já a fiz há bastante tempo mas só chegou agora....

A cegueira é a metáfora da desumanização e da indignidade do homem. Com ela, irrompem os demónios e os monstros apocalípticos: a fome, a violência, a crueldade, a bestialidade... O manicómio desactivado onde são encerrados os cegos e os contaminados é a metáfora dos campos da morte da nossa excruciante memória histórica contemporânea. A sujidade nauseabunda dos corpos, das camaratas, dos corredores e das sentinas do manicómio e o cheiro pestilencial que envolve e mortalmente abafa toda a cidade são metáforas do apodrecimento do homem. O manicómio e a cidade fantasmática, no seu horror absoluto, são a visão sublime e grotesca da aflição, do sofrimento, da indignidade e da loucura dos homens.....
A personagem central deste romance, D.Simoa Godinha, é uma das figuras históricas mais intrigantes e misteriosas da Lisboa do século XVI. Tendo nascido em S.Tomé, no seio de uma família rica de fanzendeiros, acabaria mais tarde, já casada com o fidalgo Luís de Almeida, por vir viver para a capital do reino, onde viria a expressar o seru carácter profundamente humano através de inúmeras obras de caridade, nomeadamente junto da Misericórdia. Nas veias desta Dama Negra da Ilha dos Escravos confluiam sangue negro e branco, encontro auspicioso que produziria uma belissima mulata de magníficos olhos verdes que se sentia parte de dois mundos - privilegiada por nascimento mas próxima dos deserdados da fortuna, e muito em particular, dos escravos negros. Ficamos a conhecer toda a sua vida - a infância e juventude no exotiso de S. Tomé, a paixão por Luís de Almeida, a sua influência na sociedade lisboeta da época neste romance soberbo, escrito em tom confessional, que tão bem soube captar as múltiplas nuances desta personalidade apaixonante.
Bruno, de novos anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama ás riscas.