17/02/2013

1984 - George Orwell OPINIÃO!!!!

Editora: Antígona

Páginas: 314

ISBN: 9726081890

1ª Edção: 1949.





Sinopse:
Segundo Orwell, «Mil Novecentos e Oitenta e Quatro» é uma sátira, onde aliás se detecta inspiração swifteana. De aparência naturalista, trata das realidades e do terror do poder político, não apenas num determinado país, mas no mundo — num mundo uniformizado. Foi escrito como um ataque a todos os factores que na sociedade moderna podem conduzir a uma vida de privação e embrutecimento, não pretendendo ser a «profecia» de coisa nenhuma.


Proveniência:  A minha biblioteca. Feira do livro.

A minha Opinião:
George Orwell escreveu este livro na década de cinquenta, apontando para um futuro com conotação apocalíptica. De facto, o escritor descreve uma sociedade totalmente idealizada e surreal num futuro relativamente longínquo (em 1984, passados cerca de 30 anos).

Ao lermos este livro décadas depois do ano 1984 ficamos impressionados mas também com a sensação que, apesar da descrição fantasiosa, este poderia ser, em alguns aspectos, o panorama de um futuro provável. Ou seja, é um livro actual que aponta para certas situações que se aproximam em muito da realidade actual.

1984 é uma alegoria construída com o principal intuito de criticar o modelo estalinista e que é utilizado, hoje em dia, para enfatizar a burocracia e a fiscalização que caracterizam a sociedade actual.

“Big Brother is watching you” (“o grande irmão está a ver-te”) é o mote ou ponto de partida deste clássico da literatura. O “Big Brother” é uma personagem que, através de tecnologia muito avançada, controla toda a população a todo o momento, todas as horas do dia, esteja onde estiver, mas ninguém o vê… Assustador não é?

Para além da descrição dos aparelhos utilizados para “fiscalizar” o comportamento humano, existem também outros instrumentos de trabalho, diferentes estruturas de poder, diferentes estratos sociais. 

A acção decorre em Londres mas não na “Londres” que conhecemos actualmente. É uma cidade na Oceânia, descrita como” (…) panoramas de casas oitocentistas arruinadas, com os flancos escavados por vigas de madeira, as janelas remendadas a cartão e os telhados a chapa ondulada, os decrépitos muros de jardim cedendo sob o seu próprio peso…” – p.9.

E como vive a população neste regime totalitarista? Como em qualquer sociedade ditatorial, a população segue a figura do Big Brother e vê-se obrigada a compactuar com as suas ideologias: “ Guerrra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força.” – p.10. A população é obrigada a isso, sendo julgada pelo “crimepensar”: “O pensarcrime não provoca a morte, o pensacrime é a morte” – p.33. Qualquer indício de pensamento ou reacção contra o regime imposto é logo penalizado com a prisão e depois com a morte.

Este é só um exemplo do totalitarismo exagerado implantado nesta sociedade “londrina” na década de oitenta.

A vida decrépita das pessoas é descrita neste livro pela voz de Winston, a personagem principal do livro.

Winston tenta viver nesta sociedade mas não pactua com ela.

Na primeira parte do livro, Winston estabelece a descrição social, a sua divisão política e de todos os instrumentos utilizados para controlar e vigiar as pessoas, através de um diário que escreve clandestinamente e no qual refere, por exemplo: “O Partido…controla o futuro; quem controla o presente controla o passado” (p.40) ou, referindo-se ao povo ou proles “ Enquanto não tomarem consciência não se  revoltarão, e enquanto não se revoltarem não poderão tomar consciência” – p.77.

Assim, nesta parte do livro ficamos a conhecer Winston que se revolta contra a situação imposta pelo Partido, apesar de ter que fingir que não o faz, ao mesmo tempo ficamos a par do que caracteriza a vida nessa sociedade.

A segunda parte do livro representa uma reviravolta na acção. Surge Júlia, por quem Winston se apaixona. Para além deste romance, observamos as suas tentativas de revolta e as suas acções para enfrentar a ditadura imposta “Não percebes que o passado, incluindo já o dia de ontem, foi completamente abolido? (…) Todos os documentos foram destruídos ou falsificados, todos os livros reescritos, todos os quadros pintados de novo (…) A História parou. Nada existe a não ser um presente sem fim em que o Partido tem sempre razão” – p.160.

Contudo, será que tudo corre conforme o planeado?

Infelizmente não e a punição por isso é descrita na terceira e última parte do livro. Esta foi a parte do livro mais impressionante para mim, cuja leitura me revoltou bastante. A forma como os cidadãos são tratados e castigados só por defenderem as suas próprias ideologias fez-me lembrar o que os portugueses passaram com a PIDE durante a ditadura Salazarista. Por outro lado, o modo como a informação é escondida ou manipulada e a literatura censurada recordou-me o livro Farenheit 451 de  Ray Bradbury.

1984 é, assim, um livro diferente pela sua originalidade e pela capacidade que o autor imprime ao descrever uma sociedade futurista e surreal mas, paralelamente, com muitos traços realistas.

Não é um livro de leitura fácil, faz-nos reflectir e, em certos momentos, revolta-nos.

Mas estas são as características de um bom livro e 1984 é muito bom!!

Um Clássico a não perder!

O melhor: A escrita do escritor, os paralelismos estabelecidos entre uma sociedade “futurista” e a actual.

O pior: O facto de a acção se desenrolar num tempo e espaço irreais torna a leitura do livro mais difícil. Há certas partes da narrativa que são demasiadamente descritivas.

O Autor:
Eric Arthur Blair, conhecido pelo pseudónimo de George Orwell, foi um jornalista e escritor inglês. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. Faleceu em Londres em 1950, vítima de tuberculose. Das suas obras destacam-se : 1984 e O Triunfo dos Porcos.

A minha classificação: 5 – Bom.

Período de Leitura: De 5 a 10 de Fevereiro de 2013.

3 comentários:

Antonio Manuel disse...

Mais uma vez a Estefânia apresenta uma crítica excelente sobre uma obra emblemática: 1984 de Orwell.
Uma questão se coloca: este pesadelo poderá no futuro tornar-se realidade?
Devemos estar atentos porque o impossível de hoje pode ser o nosso amanhã.
Deste autor aconselho a leitura de "Homenagem à Catalunha".
Boas leituras. Contamos contigo Estefânia.

Ricardo Pessoa disse...

Só uma correção, não foi escrito nos anos 50, mas sim entre 1947 e 1949. Orwell terminou e morreu meses após.

Ricardo Pessoa disse...

Só uma correção, não foi escrito nos anos 50, mas sim entre 1947 e 1949. Orwell terminou e morreu meses após.

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