25/09/2014

Tia Suzana, meu amor - António Alçada Baptista OPINIÃO!!!!

Sinopse Aqui!

O propósito da leitura deste livro adveio do de um dos meus desafios literários deste ano: ler um livro por mês de um autor português.

Assim, uma vez que nunca tinha lido nada do escritor António Alçada Baptista e como o livro é pequeno no que respeita ao número de páginas, resolvi arriscar nesta leitura e arrisquei bem.

Relatado na primeira pessoa, apesar de nunca ser mencionado o seu nome, este livro é constituído por três partes: na primeira parte, o narrador fala de uma história passada com o Dr. Júlio Fernandes da Silva e a sua esposa, uma história que envolve a morte de ambos e que, segundo o que as pessoas pensavam, tratava-se de suicídio.

Na segunda parte surge, a meu ver, o tema principal do livro: o estabelecimento da relação entre o narrador e a Tia Suzana. O jovem após ter ficado órfão e de o seu tio Gaudêncio ter morrido, mudou-se para casa da tia Suzana a seu pedido. A tia Suzana até ao dia da sua morte, ensinou-lhe tudo o que era a vida. Mas nunca o "prendeu", ela queria que ele vivesse a sua vida. Abriu -lhe o seu coração e contou-lhe histórias da sua vida que ninguém mais iria saber senão ele, mas também gostava bastante das histórias que o sobrinho lhe contava. O jovem era tratado de uma forma muito carinhosa, recebia conselhos, a sua tia estava sempre com um sorriso nos lábios para ele, ele sempre disse que a tia Suzana era diferente das outras mulheres, não tinha invejas nem guardava rancores a ninguém. Era uma senhora muito simples, com um grande coração.

Na terceira e última parte do romance, vem a decifração do mistério, do suposto suicídio. Um final emocionante que vem dar um novo rumo à acção principal do livro.

Um excerto do livro de que eu gostei particularmente foi o que se relaciona com os livros, uma das paixões que a Tia Suzana e o narrador partilhavam: “ Os livros são bons porque, sempre que nos sentimos sós e não temos coisas para dizer a nós mesmos, podemos falar com eles. Sabes, eu acho que as pessoas desejam viver muito e vivem pouco. Com os livros, a gente sempre faz viagens, conhece pessoas, aprende a interrogar-se e tem oportunidade de viver e de sentir coisas que a vida não lhe deu. Outras vezes penso o contrário: que os livros entretêm a nossa fome de viver e se calhar disfarçam e adiam a obrigação de procurar a vida” p.52 e 53.

António Alçada Baptista, neste romance, infere (com um certo sentido de humor até) sobre diferentes questões culturais, sociais e ideológicas bastante interessantes: a condição feminina num meio provinciano ("Se calhar, a província era uma espécie de Caiena só com mar e tubarões à volta de cada prisioneira. Mas elas andavam todas certinhas e convencidas de que aquilo era mesmo uma vida e um destino", p. 14); uma visão irónica sobre uma sociedade fechada assim como a relação com Deus e a morte.

Em suma, esta leitura foi surpreendente e despertou-me bastante a curiosidade sobre o autor e, na pesquisa sobre a sua vida, descobri uma descrição bastante interessante da sua obra que está, irremediavelmente, inserida neste livro “Tia Suzana, meu Amor”: “A vida e a obra de António Alçada Baptista estão profundamente ligadas aos valores da liberdade e à cultura dos afectos. A vida foi uma das suas grandes obras e, através da obra escrita, exprimiu, de forma única, a vida. Por isso, a sua mensagem está tão presente e a sua obra será sempre actual”.


Um livro para ler e descobrir!


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