08/10/2009

Ensaio sobre a Lucidez - José Saramago


Edição/reimpressão: 2004

Páginas: 330

Editor: Editorial Caminho

ISBN: 9789722116084



Sinopse:
Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%.
Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar.

Ensaio sobre a Lucidez constitui uma representação realista e dramática da grande questão das democracias no mundo de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas? Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real, e não apenas meramente formal?

A minha Opinião:

A escolha da leitura deste livro baseou-se fundamentalmente no facto de, tal como a sua acção, vivermos actualmente duas fases eleitorais ( primeiro as legislativas e proximamente as autárquicas). Assim, nada melhor que analisarmos a opinião de José Saramago sobre a política nacional que, após a leitura do livro, concluímos não ter mudado significativamente desde o ano em que o livro foi publicado (2004).

Pautado pela escrita incomparável de Saramago bem como pelo seu sentido de humor, este livro constitui uma crítica explícita ao poder instituído e às instituições políticas que o constituem (são os ministros que nada fazem, é o Presidente da República que se encontra imóvel perante as adversidades, etc).

Após uma votação em branco maciça, o caos instala-se numa cidade sem nome e a anarquia substitui a tranquilidade presente até então. E então que atitude tomam os governantes? Fogem da cidade, deixando os cidadãos entregues a si próprios, sem leis, sem regras...

Então eis que surge a ideia luminosa introduzida por uma carta anónima: não passará tudo isto de uma conspiração contra o governo e contra a capital?

Neste marasmo político e social e para o espanto de nós, leitores, surgem personagens já por nós conhecidas de "Ensaio sobre a cegueira".

Devo dizer que realmente esta mudança no decorrer da acção me surpreendeu pela positiva e uma leitura já de si interessante tornou-se ainda mais cativante!

Assim, este livro poder-se-á considerar a continuação do livro " Ensaio sobre a cegueira", sendo a cegueira branca substituída pela "lucidez do voto em branco" (também uma epidemia?ou uma conspiração?).

A partir do momento de "entrada em cena" da mulher que não havia cegado há quatro anos e de todo o restante grupo entrámos numa busca incessante ao responsável pela conspiração.

Quem são os responsáveis?E porquê?

Neste prisma, Saramago tece novas críticas: à polícia, aos órgãos de comunicação social e à justiça.

O soberbo desenrolar da acção tem o seu apogeu no final do livro que é simplesmente surpreendente e ao mesmo tempo revoltante.

Maravilhosamente bem escrito, mais uma vez Saramago não me desilude com a sua capacidade realística e humorística.

Mais um livro que recomendo vivamente e sem reservas!

Classificação - 9/10

Iniciado em 20 de Setembro e terminado a 7 de Outubro.


5 comentários:

Jojo disse...

Olá!
Eu de José Saramago li Ensaio sobre a Cegueira e Memorial do Convento. Adorei os dois!
Qualquer dia, leio mais um dele. Este parece-me muito bom.

BjOkinha*

CatarinaGarcia disse...

Desculpa "enfiar-me" no teu blogue mas fico muito contente com esta tua crítica. É que, a maioria das críticas que li na internet sobre este livro são negativas. E deve ser o livro dele que menos vende pois é o que se vê mais em packs oferta.
Pode não ser dos melhores dele mas é definitivamente um óptimo livro e vale a pena ler!
Adorei a opinião.

Iceman disse...

Viva!

Reparaste que "Ensaio sobre a Lucidez" é uma espécie de continuação do "Ensaio sobre a Cegueira"?

Inclusivamente Saramago volta a pegar em alguns personagens do livro anterior.

Estefânia disse...

Iceman, sim reparei e até refiro isso na minha crítica ao livro.

Jojo, tenho cá em casa o memorial do convento que também hei-de ler proximamente!

Catarina, não tens de pedir desculpa por te "enfiares" no meu blogue! É sempre bom ter mais pessoas a visitá-lo. Obrigada pelos elogios e realmente lê o livro que é fantástico mas aconselho-te a ler primeiro o " Ensaio sobre a cegueira!.

tonsdeazul disse...

Ainda não li este de Saramago, mas confio na tua crítica, pois Saramago é o meu escritor português de eleição. :)

Os Autores nas estantes

Agatha Christie (7) Albert Camus (1) Alexandre Dumas (2) Almudena de Arteaga (2) Amalia Decker Marquez (1) Ana Cristina Silva (2) Andrea Vitali (1) Andy Tilley (1) Anita Notaro (1) Anna McPartlin (2) Annie Murray (2) Anthony Capella (1) Antonio Hill (1) Arthur Schnitzler (1) Arturo Perez - Reverte (1) Audrey Niffenegger (1) Ayelet Waldman (1) Boris Vian (1) Bram Stocker (1) Brian Freeman (1) Camilla Lackberg (6) Care Santos (1) Carlos Ruiz Zafón (2) Cecelia Ahern (1) Charlotte Brontë (1) Colleen McCulloug (3) Dan Brown (2) Daniel Silva (1) David Foenkinos (1) David Nicholls (1) David Safier (1) Dennis Lehane (1) Diane Setterfield (1) Donato Carrisi (2) Edith Wharton (1) Elizabeth Adler (1) Elizabeth Edmondson (1) Elizabeth Gilbert (1) Elizabeth Haynes (1) Elizabeth Hickey (1) Eloisa James (1) Eric-Emmanuel Schmitt (1) Fabio Volo (1) Florencia Bonelli (1) Franz Kafka (1) Fred Vargas (2) George Orwell (1) George R.R. Martin (1) Gustave Falubert (1) Guy de Maupassant (1) H.P.Lovecraft (1) Harlan Coben (2) Haruki Marukami (2) Henning Mankell (2) Henry James (1) Inês Pedrosa (1) Isabel Allende (3) Iza Salles (1) J.K.Rowling (1) James Thompson (2) Jamie Ford (1) Jane Austen (2) Jean Rhys (1) Jennifer Haymore (2) Jessica Bird (1) Jill Abramson (1) Jô Soares (2) John Boyne (1) John Verdon (2) Jojo Moyes (3) Jonathan Santlofer (1) José Rodrigues dos Santos (5) José Saramago (6) Joseph Conrad (1) Jude Deveraux (2) Julia Navarro (1) Julie Garwood (1) Júlio Magalhães (2) Karen Kingsburry (1) Kate Jacobs (1) kate Morton (3) Ken Follett (5) Lars Kepler (3) Leo Tolstoi (1) Lewis Carroll (1) Lisa Gardner (1) Lívia Borges (1) Lucinda Riley (2) Luís Miguel Rocha (4) Machado de Assis (1) Madeline Hunter (2) Marguerite Duras (1) Mário Vargas Losa (2) Matilde Asensi (1) Michael baron (1) Miguel Sousa Tavares (1) Mo Hayder (1) Nicholas Sparks (2) Nicky Pellegrino (1) Nicolas Barreau (2) Nora Roberts (4) Nuno Markl (1) Oscar Wilde (1) Paulo M. Morais (1) Philippa Gregory (3) R.J.Palacio (1) Ricardo Araújo Pereira (1) Ricardo Menendez Sálmon (1) Richard Zimler (1) Robert Louis Stevenson (1) Robert Wilson (1) Rosamund Lupton (2) Rosamunde Pilcher (1) Sandra Brown (2) Sandra Worth (1) Sara Rodi (1) Sarah Addison Allen (3) Slavomir Rawicz (1) Stefan Sweig (1) Stephen King (1) Stephenie Meyer (4) Steven Saylor (1) Stieg Larson (3) Susanna Kearsley (1) Susanna Tamaro (1) Tara Moss (1) Thomas Mann (1) Torey Hayden (1) Tracy Chevalier (2) Wilkie Collins (1) WM. Paul Young (1) Yann Martel (1) Yasunari Kwabata (1) Yrsa Sigurdardóttir (1)