30/01/2013

Shirley - Charlotte Brontë OPINIÃO!!!!



Editora: Book.It

Nº Páginas: 415

ISBN: 9789897170201







 Sinopse:

Shirley, o segundo romance de Charlotte Brontë, foi publicado pela primeira vez em 1849. À semelhança do que se sucede em Jane Eyre, o seu primeiro romance, a história é protagonizada por uma mulher de personalidade forte. Neste caso, são duas heroínas, Shirley Keelder e Carolina Helstone (personagem inspirada na irmã de Charlotte, Anne), cujos comportamentos desafiam os padrões da época. Em pleno século XIX, em Yorkshire, no auge das guerras Napoliónicas e no período mais tumultuoso da Revolução Industrial, estas mulheres vão procurar impor-se num mundo de homens e enfrentar duras provações, sobretudo no amor.

Tido por alguns como uma obra feminista, Shirley é, na verdade, uma apaixonada representação da sociedade oitocientista...das desiguldades entre classes e géneros. Reflecte ainda as vivências da autora, que enquanto escrevia Shirley perdeu três irmãos: Branwell, em Setembro de 1948, Emily, no final desse ano, e Anne, em Maio de 1849
 
Razões da escolha do livro: DesafioClássicos da literatura 2013.

Proveniência:  A minha biblioteca.

A minha Opinião:
De Charlotte Brontë tive o privilégio de ler o seu primeiro romance – Jane Eyre. Adorei esse livro, uma obra-prima que aconselho vivamente!

Tal como em Jane Eyre, Shirley tem como protagonista uma mulher de personalidade forte, que desafia os convencionalismos de uma época (a acção decorre em pleno Séc.XIX, no auge das Guerras Napoleónicas).

Desde as primeiras páginas do livro deparamo-nos com o sentido de humor da autora, utilizado para descrever personagens ou determinadas situações “Desde há alguns anos que começou a cair, a norte de Inglaterra, uma chuva de vigários.” – p.5.

Este humor irá acompanhar-nos durante todo o romance o que foi, para mim, uma mais-valia nesta leitura.

Charlotte Brontë tem um modo muito particular de descrever personagens, lugares e cenas, como se de um filme se tratasse. Os leitores são transportados para a história e ficam muito próximos desses elementos.

A época histórica de Shirley também é magnificamente retratada “ O período de que me ocupo é um dos mais sombrios da história de Inglaterra (…) A guerra atingiu o auge e tinha-se estendido a toda a Europa (…)” – p.19. Para além das dificuldades existentes devido às Guerras Napoleónicas vive-se o surgimento da Revolução Industrial, que vai dando os seus primeiros passos, para benefício de uns e dificuldades para outros (sobretudo para a mão-de-obra que se vê substituída pelas máquinas, perdendo o seu emprego, o seu ganha pão). Esta dicotomia é abordada ao longo de todo o livro. Não se julgue, deste modo, que Shirley é unicamente um romance, é também o retrato de uma época, de mudança de uma sociedade.

É neste contexto que surge uma das personagens principais: Robert Moore, dono de uma fábrica e protótipo dos que defendem a inovação introduzida pela Revolução Industrial. Esta personagem é bastante interessante sobretudo porque defende as suas ideologias, mas é, ao mesmo tempo, humilde, sincero, culto e, no fundo, também um romântico – “A pobreza é (….) egoísta, constrangida, rastejante, ansiosa. De tempos a tempos, o coração de um pobre homem é iluminado por alguns raios (…) fica entumecido como a vegetação do jardim, num dia de primavera; mas não nos devemos deixar arrastar por esse agradável impulso e, para o reprimir, devemos invocar a prudência, gelada como o vento norte!” – p.45.

As personagens com características peculiares e próprias da época vitoriana não se ficam por aqui.

Outra personagem determinante é Caroline Heldstone – órfã, vive com o tio. É, segundo a descrição feita pela autora, uma jovem sonhadora, sensível, tímida e é inspirada em Anne Brontë, irmã de Charlottë.

O reverso de Caroline encontra-se em Shirley: desafiadora, frontal, determinada, senhora de si e do que quer da vida.

Caroline e Shirley são muito diferentes mas complementam-se tornando-se muito amigas e ambas desafiam os padrões da época e aprendem uma com a outra.
Os padrões de então eram sobretudo machistas, num tempo em que a mulher era tida como submissa e inferior “ (…) detestarei sempre as mulheres; não passam de bonecas, que não pensam senão em enfeitar-se e fazer-se admirar (…)" – p. 103.

Este é um livro romântico, não só com uma mas com duas histórias de amor. É um romance rico em descrições que nos leva a reflectir sobre várias realidades: o amor, a amizade, a religião, o progresso.

Livro rico em personagens, emoções, lutas interiores, é sem dúvida um clássico da literatura, na medida em que aprendemos muito com a sua leitura e estes ensinamentos perdurarão no tempo!

Emotivo, é um livro que nos toca e marca. Provavelmente, este facto deve-se, como é referido na contracapa, a que seja um reflexo das vivências da autora “ Tido por alguns como uma obra feminista, Shirley é (…) uma apaixonada representação da sociedade oitocentista (…) das desigualdades entre classes e géneros. Reflecte ainda, as vivências da autora, que enquanto escrevia Shirley perdeu três irmãos(…)”.

Um livro a não perder, diferente de Jane Eyre mas também muito bem escrito e com uma história fantástica!

Charlotte Brontë é, sem dúvida, uma das minhas escritoras preferidas de sempre!

O melhor: O sentido de humor, o romance, o final, a proximidade existente entre escritor e o leitor.

O pior: Quando terminamos o livro ficamos com saudades das personagens!

A Autora:
Escritora inglesa, nascida em 1816, em Thornton (Yorkshire), e falecida em 1855, filha de um pastor anglicano, perdeu a mãe em 1821, ficando confiada aos cuidados de uma tia materna. Em 1842, foi estudar, juntamente com a irmã Emily, para Bruxelas, onde mais tarde exerceu a função de professora. Em 1846, publicou, com Emily e Anne, o volume de versos Poems by Currer, Ellis, and Acton Bell, vindo o primeiro romance que escreveu, The Professor, a ser publicado postumamente, em 1857. Publicou igualmente os famosos romances Jane Eyre (1847), Shirley (1849) e Villette (1853).

A minha classificação: 7 – Excelente. 

Período de Leitura: De 19 a 25 de Janeiro de 2013.

2 comentários:

Antonio Manuel disse...

Como nos tem habituado a Estefânia continua a apresentar-nos excelentes críticas e a aumentar o nosso interesse pela boa literatura, abrangendo uma larga faixa de géneros literários. Só lhe podemos dizer: OBRIGADO!!!

Helena disse...

Fico chateada de não conseguir ler em inglês. Quantos livros perdemos em função disso... :/ hehe

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